Cloe Fenix

Estrelinha – Continuação 2

— Talvez seja, porque nós humanos, temos uma mente fraca para acreditar. Somos seres, com muitos medos e receios. Trabalhamos sem descanso, para atingir os nossos fins, mesmo que custe a nossa saúde. Somos fracos e frágeis e muitas vezes esquecemos o que é mais importante. A minha mãe conta, que os nossos antepassados pediam ajuda as estrelas. As suas estrelas guias, mas hoje, ninguém mais se lembra delas. Por isso, as estrelas também esqueceram. E por isso perderam o brilho especial.

— O brilho especial?

— Sim. O brilho da esperança. Aquele, que nos guia no caminho certo e nos da força para continuar a lutar.

— Porque procuras, o brilho da esperança?

— Porque eu quero, ajudar os meus pais. Eles estão velhos e cansados. Precisam de descansar, mas nunca o fazem. Tem de me criar e aos meus irmãos.

— Mas, não seria melhor se descansassem?

— O meu pai sempre diz, que a maior profissão de um adulto é ser pai. Apesar de esse ser um trabalho muito difícil e cheio de sacrifícios.

— Então porque os adultos têm filhos?

— Não sei. Talvez, para ter quem cuide deles, quando forem velhinhos. Mesmo assim, o meu pai diz que é muito feliz. Mesmo pobre, ele tem um grande tesouro.

— Tem um tesouro?

— Sim. Eu, minha mãe e meus irmãos, nós somos o seu maior tesouro. Ainda ontem, ele me pediu para nunca me esquecer disso. E também, para sempre lhe lembrar que, esse é um bom motivo para viver. Mesmo quando crescer e tiver os meus filhos. Eu devo sempre cuidar deles, como um dia quero ser cuidado por eles.

— Porquê?

— Não sei. Ele disse que entenderia, quando for mais velho.

— Porquê, quando fores mais velho?

— Também não sei.

— Não sabes as respostas, para muita coisa.

— Eu sou uma criança, ainda tenho muito a aprender. Minha avó diz que, a sabedoria vem com o tempo. E um dia, se eu quiser, posso-me tornar o homem mais sábio do mundo. No entanto, tudo na vida tem um preço, e eu tenho de estar preparado para o pagar, quando o momento chegar.

— Porque tens de pagar?

— Nada é de graça. A pouco contaste, que as outras estrelas, não gostavam do teu brilho de luz. O que fizeram elas?

— Elas deixaram de brincar comigo e me deixavam de lado. Diziam, que o meu brilho as incomodavam e que eu era má.

— O que fizeste, para as magoar?

— Nada, eu acho. Eu sempre quis brincar com elas, mas nunca o pude fazer. Então desisti.

— Qual foi o teu motivo, para desistir?

— Porque era, o mais coreto a se fazer. A minha teimosia só as deixava, ainda mais chateadas. – A sua luz ficou mais fraca.

— Então esse foi o teu preço. A tua felicidade pela delas, valeu a pena?

A Estrelinha ficou pensativa, era a primeira vez, que contava os seus problemas. E a primeira vez, que alguém lhe perguntava, se alguma coisa valia a pena. Aquele menino, apesar de pequeno, tinha muitas coisas a qual acreditava. E todos a sua voltam diziam, que os seus sacrifícios valiam a pena. O seu sacrifício também valeria? Nessa noite, não foi capaz de responder ao menino, mas desejou viver mais uma noite. Queria voltar a encontra-lo e aprender mais.

Estrelinha – Continuação 2

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