Cloe Fenix

Estrelinha – Continuação 3

Na noite seguinte.

— Estrelinha, estrelinha no céu tao linda. Ilumina com carinho, o céu da minha vida. – Repetiu três vezes, o menino para o céu.

— Olá. – Respondeu a estrela timidamente. – Voltas-te.

— Que motivo teria, para não voltar. – Perguntou o menino.

— Porque ninguém gosta de mim.

— Eu gosto.

— Gostas?

— Claro que sim, tu és minha amiga.

— Tu queres ser meu amigo? Não me odeias?

— Há motivos para isso?

— Não sei.

— Eu quero ser teu amigo. Não me deixas?

— Claro que deixo, és o meu primeiro amigo.

— E tu és, a minha primeira e única, amiga estrela. – Respondeu o menino sorridente.

— Tu tens, amigos humanos? – Perguntou curiosa.

— Sim. Não são muitos, mas são verdadeiros.

— Como se faz amigos?

— Não existe, uma forma de fazer amigos. Amigos se tornam amigos, apenas temos de tentar sem medos.

— É assim tão fácil?

— É sim. Só tens de tentar.

— Mas as estrelas, não gostam de mim.

— Só tens de encontrar, quem goste. Não se pode forçar ninguém a gostar de outra pessoa. Apesar de poderes ensinar, alguém a gostar de ti, conhecendo-te. Muita gente tem medo do desconhecido, do que é diferente. Durante anos os brancos, intimidaram os negros, por os acharem inferiores. Apenas porque, estes eram diferentes. Foi preciso muita coragem, para mudar a sociedade. Hoje somos todos iguais, mas infelizmente ainda existe preconceito.

— Preconceito? O que é isso?

— Preconceito é um pensamento ou atitude errada, feita muitas vezes por falta de conhecimento, inveja, raiva… Um pouco como as outras estrelas, têm por ti. Elas têm preconceito, por tu teres um vestido mais bonito. O vestido não faz a pessoa, é apenas o teu exterior. Elas apenas têm inveja, por não ter um igual. Elas apenas nunca viram a joia, que é o teu grande coração. Se fossem tuas amigas, elas não veriam mais o brilho do teu vestido, mas sim o brilho do teu coração. Um verdadeiro amigo, não julga o outro pela aparência, não o critica nas suas costas. Ele diz as suas críticas, na sua frente e ajuda-te a encontrar o caminho certo. É alguém, capaz de apoiar-te nas tuas escolhas, mas que também sabe apontar os teus defeitos. É quem, esta lá para ajudar-te a levantar, quando cai. É quem ri com contigo, ou faz-te rir, só para que tudo pareça bem. Tu és uma estrela e eu um menino. Um dia, não vou mais poder falar contigo, mas tu estarás lá para mim e eu nunca me esquecerei de ti.

— Vais deixar de falar comigo? Já não gostas, mais de mim? – Fez uma pausa. – Tu disseste que, gostavas de mim, que nunca me ias esquecer. Isso era mentira? Se não era… porque me vais deixar sozinha, na escuridão.

Uma chuva suave e quente começou a cair do céu. A estrela estava a chorar, pensando no quanto seria difícil, se despedir do único amigo que tinha.

— Eu não me quero despedir. Eu gostava, de sempre poder falar contigo. No entanto, eu não vou ser criança para sempre. Um dia vou virar adulto e os adultos não falam com estrelas.

— Não? Os adultos não gostam, das estrelas?

— Gostam. Os adultos também olham, para o céu. Talvez isso lhes lembre, um pouco a magia da sua infância. Aquilo, que a idade deixou para trás.

— O que deixaram para trás?

— A inocência, o coração puro de criança. Ainda não tocado, por todas as dificuldades e preocupações do mundo adulto. A minha avó diz, que os adultos se preocupam tanto, com os seus medos e desejos. Que o seu mundo parece, mais pequeno. Então se esquecem da magia, de ser crianças e aí… deixam de acreditar no mundo. Talvez seja por causa da saudade, que sentem da sua infância, ou por aquilo que gostavam de ter vivido nela. Eu não conheço a verdade e talvez, eles também não. No entanto, eles desejam essa magia e não  querem, que a percamos tão cedo. A magia de sonhar e acreditar, que tudo é possível. A magia de ver o mundo, com outras cores. A magia, que torna tudo fantástico, que nos dá esperança e fé no amanhã.

— É o que acreditas?

— A minha avó diz que, o mundo é muito cruel. Que é preciso aprender a lidar com ele e saber como o enfrentar. Eu acredito nela.

— Mas eu ficarei sozinha, novamente. Eu não quero isso, não gosto de ficar só.

— E não vais. Tu nunca estarás sozinha, sempre vai existir alguém.

— Quem?

— Os teus novos amigos.

— Mas eu não sei fazer amigos.

— Só tens, de ser tu mesma.

Estrelinha – Continuação 3

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