Como escrever um livro – Capítulo 2

No capítulo anterior eu falei na importância da leitura e ainda mais na importância de descrever uma cena. Criar o ambiente numa história, é o mais importante que pode existir, sem dúvida. Então eu gostaria de falar de um tipo de livros diferentes, do que estamos habituados na nossa cultura. Felizmente existe cada vez mais, fás deste tipo de cultura que cresce de dia para dia. Se não conhece, acredite em mim que vai adorar conhecer. Desde que experimentei, só devorei história atrás de história, e senti que a minha sede não é nem será saciada o suficiente. São histórias únicas, invulgares, que espelham uma grande cultura e ainda mais, uma grande imaginação.

Sem dúvida.

Não sei se alguma vez ouviu falar de mangá? Anime talvez?

Estes são termos que por norma, não estamos acostumados a ouvir, apenas a assistir de uma forma diferente. Anime é o mais comum, são os desenhos animados japoneses que nós também conhecemos. Quem nunca ouviu falar do Dragon ball, a serie de animação que viciou crianças e adultos e ainda vicia. Oliver e Benji, com o seu futebol imbatível e jogadas que duravam um episodio inteiro. Doremon, Naruto, Beyblade, Sailor Moon… quantas meninas não desejavam fazer parte das navegantes da lua, que protegiam a terra, dos malvados monstros que se queriam apoderar do poder da lua e conquistar a terra. História que cresceram entro de cada um de nós. Histórias inspiradores, criativas e revolucionárias. Quantos de nós, não desejamos que as nossas obras tenham um impacto tão forte, na vida de quem as lê?

Se gostam dos animes, agora imaginem os mangás? Mangás, são bandas desenhadas japonesas. Acreditem em mim, em nada tem haver com as nossas bandas desenhadas por vários motivos.

  • Primeiro pela forma de apresentação, o nosso tipo de escrita e leitura é da esquerda para a direita, o completo oposto deles. Poucos são os mangás escritos da esquerda para a direita e talvez essa seja a maior dificuldade que um leitor encontra.
  • Segunda a cultura é completamente diferente da nossa, a mistura do tradicional com o moderno, do normal com o sobrenatural. É incrível, como uma pequena história pode ter tanto para oferecer. Os nomes que eles dão aos graus de ensino, a forma como se tratam uns aos outros, as regras… tudo e diferente e interessante.
  • Terceiro, por normas os mangás são a preto e branco. Poucos existem a cores e são incrivelmente detalhados. São várias informações descritas, em frases soltas, como um bater de um coração, ou a cor do cabelo…

Eu acho essas histórias inspiradoras e fascinantes, por várias vezes senti a minha criatividade renovada a ler, vi-me a chorar ou a sofrer com o protagonista. E me apeteceu escrever, criar um outro mundo, criar uma nova história, algo semelhante. E depois apercebia-me que ela só era realmente boa, pois estava adaptada na cultura certa e na nossa não se encaixava. O mesmo acontece, com os livros históricos, livros anteriores ao século XX. Culturas diferentes, imagens diferentes, estilos de vida completamente distintos. E que conquistam completamente os seus leitores.

O que é preciso?

Preparação, é a palavra a chave de qualquer escritor.

Preparar os cenários, preparar os personagens, preparar os temas, a época, o curso da história, a dirigem da vida do personagem…

Tudo acontece por uma razão, qual é a razão da sua história?

  • O que aconteceu?
  • Porquê?
  • Quando?
  • Como?
  • Onde?
  • E a quem?

Estás são as perguntas chaves que deve fazer, na criação da nossa história. Talvez seja mesmo o princípio de tudo, o que conjuga a ideia com o desenvolvimento. E a construção se inicia com mais força, então vamos ver.

  • O que aconteceu? – é o tema e o enredo da história.
  • Porquê? – A motivação.
  • Quando? – Em que época, em que ano, em que data, período, hora…
  • Como? – O segredo por trás de tudo, que se esconde nas entrelinhas e só é descoberta no fim.
  • Onde? – O local.
  • E a quem? – Personagens.

Na minha história Abismo, que ainda não acabei de escrever e por isso não vou revelar tudo. O resultado foi:
  • O que aconteceu?
    • Uma jovem acorda do coma, gravida e sem memória.
  • Porquê?
    • Um acidente, provocou um traumatismo que a deixou em coma.
  • Quando?
    • Na atualidade, cinco meses depois do acidente.
  • Como?
    • Segredo (Tem de ler o livro)
  • Onde?
    • Uma pequena cidade.
  • E a quem?
    • A Helena.

Pouco a pouco eu construi aqui os primeiros capítulos do meu livro, apenas precisei encontrar o caminho que ligava o que aconteceu, ao final desejado e ao motivo oculto que desencadeou tudo.

Eu sinceramente não gosto de gastar muito tempo a planejar, gosto de escrever livremente conforme as ideias vão surgindo, mas isso é muito complicado na verdade. Então eu optei por um meio termo, na minha forma de trabalhar, apesar de ter tentado várias técnicas diferentes para escrever e planear um livro. E acredite em mim, este é um processo longo e exaustivo, mas no final compensa. A satisfação de uma história bem escrita, completa, que com um bom feedback é tudo para um escritor. Por esse motivo que eu sou tanto autocrítica e sou capaz de reescrever a mesma história centenas de vezes, até ficar satisfeita com o resultado.

Na verdade, o meu livro estrelinha, não teve qualquer planejamento. Eu queria e precisava de escrever um livro infantil e queria escrever a história sobre um pequeno escuteiro, mas não sabia como. Essa era a realidade, não conseguia passar a minha imagem mental, para o papel e transmitir a imagem que queria. Até que um dia, enquanto trabalhava uma pequena frase se formou na minha cabeça.

“Estrelinha, Estrelinha no céu tão linda. Ilumina com carinho, o céu da minha vida.”

Todo o livro foi contruído a volta destas simples frases. Uma história de uma estrela que sofre bulling e que é salva, por alguém diferente dela. Uma amizade para toda a vida, independentemente da distância, tempo ou lugar. Talvez não seja a história ideal, que queriam no concurso, mesmo assim é uma história linda que eu gosto muito. Independentemente do que eu outros pensam sobre ela, para mim ela está perfeita, não mudaria nada.

Seja qual for a forma que escolha para escrever a sua história, todas são boas, desde que o resultado final também o seja. A forma não importa, mas sim o resultado. É a história que vende, não o planejamento, esse apenas ajuda a chegar ao seu tão desejado fim.

Boa sorte.

 

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