Como escrever um livro – Capítulo 3

Eu adoro ler e por isso procuro todo o tipo de histórias, para saciar esta minha fome por leitura. Ao mesmo tempo para mim, está é uma forma de relaxar depois de um dia cansativo, atarefado, cheio de stress e problemas. Certamente encontrará muitas pessoas que concordam com a minha afirmação e muitas delas certamente serão os seus leitores. E por isso, é sua obrigação proporcionar-lhes histórias únicas, cativantes e criativas, mas também de fácil leitura e compreensão.

Muitas vezes leio livros de escritores amadores, alguns passariam facilmente por livros profissionais, quando outros precisam de muito trabalho, para chegar ao mesmo nível. Podem dizer que essas pessoas possuem um dom, tem jeito para a escrita… independentemente do nome, do que pensam sobre isso, é algo que requer prática, esforço e empenho. E por esse motivo é que comecei a pesquisar sobre escrita criativa e as diversas formas de escrever um livro. Durante este percurso e como a critica que aprendi a ser, apercebi-me que a maioria dos escritores amadores, comete erros básicos. Erros que em regra geral tira todo o interesse da história, alguns que chega mesmo a cansar o leitor. Um leitor cansado é um leitor que não termina de ler o livro, não o recomenda e muitos menos procura outro livro daquele escritor.

Alguns erros:

  1. Não pensar no leitor enquanto escreve a história

O maior erro de todo o escritor amador, é não pensar na pessoa para quem está a escrever a história. Lembre-se que quem lê a sua história, não está dentro da sua cabeça, dessa forma tem de ficar claro aquilo que a sua mente vê, sente, ouve, toca, cheira… O leitor deve ser transportado para outro mundo quando lê, não é fácil eu sei, se fosse qualquer um podia fazer dinheiro neste ramo, sem fazer absolutamente nada.

  1. A escrita é confusa e não diferência o espaço, do tempo

É muito fácil perder a atenção de um leitor, principalmente quando o fazemos perde-se na história. Um personagem não pode estar em dois sítios ao mesmo tempo, muito menos transporta-lo de um local para o outro, sem fazer qualquer ligação.

Ex: Cruzei a porta e vi-o à minha espera, lindo como sempre, depois de nos cumprimentamos iniciamos uma conversa emocionante. A aula estava animada e o assunto até que não foi aborrecido, claro que a vista para aquele aluno lindo era o melhor do dia.

Percebeu alguma coisa da história? Captou alguma mensagem, ao perdeu-se no meio do paragrafo? Vamos tentar outra vez, desta vez da forma correta?

Ex: Cruzei a porta do meu prédio e vi-o à minha espera, lindo como sempre, depois de nos cumprimentamos, entramos no seu carro e iniciamos uma conversa emocionante. A viagem foi curta e logo tínhamos chegado ao nosso destino, entramos na escola e cada um seguiu para a sua sala de aula, não podíamos nos atrasar. A aula estava animada e o assunto até que não foi aborrecido, claro que a vista para aquele aluno lindo era o melhor do meu dia.

E agora entendeu? O espaço e tempo é tudo, isso garante a atenção do leitor, mantém-no interessado na história e não o cansa. Além de que ele percebe a história sem precisar de tentar entrar na sua cabeça, a menos que o seu interesse seja, descobrir o final da história.

Atenção não exagere na descrição, não podemos ser nem 8 nem 80, temos de ter um meio termo, pois os extremos não são os melhores conselheiros para um escritor.

  1. A história não possui um tempo realista

Temos de respeitar o tempo, isso torno a história mais realista transmitindo mais sentimento ao leitor. Uma perna partida, não se cura em dois dias, nem numa semana, a menos que seja uma coisa bem pequena. Ossos podem demorar meses a curarem-se, não salte no tempo sem avisar o leitor, não deem ao leitor um momento: “O que se passa aqui?” ou “O que aconteceu” ou “Era bom era se assim fosse” ou “Isso foi rápido” …

Um acordar do sonho, que é o seu livro. Os únicos elementos que devem tirar a concentração do leitor do seu livro, é o que o rodeia, não próprio livro.

  1. As ideias não são claramente transmitidas ao leitor

Não se fique pelas meias palavras, não deite tudo entre linhas, o mistério deve ser mantido, mas alguma informação deve ser dada. Um bom uso do vocabulário pode ser a sua oportunidade tara transmitir tudo, sem transmitir nada.

Uma boa forma de conseguir algo assim, é transmitir um sentimento a um objeto inanimado algo como “A casa era fria.” Está frase não significa que a casa fosse mesmo fria, mas sim que lhe transmitia algo negativo, como se não existisse vida no seu interior. Ao contrário “Uma casa calorosa…” pode ser uma casa cheia de vida, que transmite uma sensação de calor, não físico, mas emocional. O mesmo podemos fazer usando as cores, as chamadas cores quentes e frias, são pequenas dicas, ou pequenos indícios que podemos deixar ao leitor. Dando-lhe algo, sem deixar que o véu levante demasiado cedo e o leitor descubra toda a verdade.

Uma boa história é aquela, que surpreende o leitor, que o faz rir, chorar, amar e sofrer, tudo junto dos seus personagens favoritos.

  1. A gramática não é aplicada

O bom uso da gramática também fundamental, ajuda a dar sentido a história e a envolver o leitor. Se não for bom em gramática não tem problema, vai aprendendo com o tempo, pode sempre dar a história a ler a outras pessoas e pedir ajuda nas correções. Eu mesma não sou boa em gramática e sei que mesmo com revisões vai sempre encontrar algum erro que no fim, simplesmente me escapou.

O importante a reter, é que este deve também ser um fator que o deve influenciar na hora de escrever.

  1. Linguagem utilizada

O tipo de linguagem também é algo bastante importante, principalmente porque não sabemos o grau académico de quem vai ler a nossa história, nem em que país. O Português e Brasileiro, são línguas muito parecidas afinal uma deriva da outra, mas no final são duas culturas bem distintas. A utilização frequente do calão pode não ser uma boa solução quando se escreve e muito menos quando se opta pelo uso de abreviaturas.

Lembre-se que quem as lê pode não saber o significado e uma simples palavra, pode o por de parte da compreensão da história.

  1. Trocar as informações

Outro erro muito comum e que trona a história menos coerente, é trocar frequentemente algumas informações ao longo da história. Os casos mais comuns, são os nomes dos personagens que numa página se chamam João e na outra já é José. Este é outro claro exemplo que deixa o leitor zonzo. Quem é quem? O pior é quando existem muitas personagens envolvidas na história, nesses casos a troca de nomes, pode ser o verdadeiro caos. Imagine uma bomba a explodir na cabeça do leitor, pois é isso que vai acontecer com ele, uma bomba de ideias que não batem certo umas com as outras.

A melhor forma de contrariar esta situação, é pegar num caderno e apontar tudo, tudo o que precisa de saber sobre cada personagem, sem ter de voltar a ler a história para saber.

Não assassine a sua arte, principalmente enquanto ela é apenas um bebé a dar os primeiros passos.

 

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