Estrelinha

No céu nasceu uma estrela, mas esta, não era uma estrela qualquer. Era uma estrela, com um brilho especial, que iluminava todo o céu. Era uma luz, tão brilhante e pura, que fazia inveja ao próprio sol. Foi-lhe dado, pela grande mãe estrela, o nome de Estrelinha. Pois ela era, a mais pequena e formosa estrela, de todo o céu. Provocando também a inveja, nas suas irmãs estrelas. Por isso a Estrelinha, era muitas vezes deixada sozinha. Enquanto ouvia as outras, falarem coisas más sobre si.

— Coitada da Estrelinha, eu não queria ter uma luz assim. – Fazia troça. – É tão forte, que não deixa sermos vistas, por mais ninguém.

Outras acrescentavam.

— Olha a Estrelinha tão vaidosa, com o seu vestido de luz.

— Não é só ela, que brilha no céu. – Continuava outra. – Nós também queremos brilhar, para o céu iluminar. A Estrelinha é muito má, com ela ninguém pode ver o nosso brilho.

A Estrelinha ficava muito triste, com o que as outras estrelas diziam dela. Ela não queria, que deixassem de brilhar. Gostava de brilhar com todas e divertia-se a fazê-lo. Também gostava do seu brilho quente e acolhedor. No entanto, sabia que este, magoava os sentimentos das outras estrelas. Daquelas, que não tinham um brilho especial. E nada podia fazer, para mudar isso.

“O que havia nela, que a fazia especial?”

Todos sabem, que os sentimentos das estrelas se revelam, nas suas cores. Quanto mais inocentes e puras, mais brilhantes e quentes estas são. Se por sua vez forem tristes, cheias de inveja e ciúmes a sua cor é fria, quase invisível no céu. Uma estrela não sobrevive sem calor e uma estrela fria é uma estrela morta. Que cai do céu em forma de pedra, fria e sem graça.

 

Sozinhas as estrelas são apenas, um ponto de luz no céu. Juntas fazem um céu estrelado, tão lindo, que a lua se junta à brincadeira. Roubando um pouco de luz, para fingir ser o sol, que ilumina a noite. Por isso, elas não podem, simplesmente brilharem sozinhas. Precisam das suas amigas, para as ajudar a brilhar. Num jogo, que dura toda a noite e de manhãzinha, quando os meninos se levantam da cama. Elas fogem, numa brincadeira de esconde-esconde. Para as suas, fofas camas de nuvem. Tão macias como algodão, tão claras, que as vezes nem se veem do chão. Misturando-se com o azul do céu brilhante.

Com o tempo a Estrelinha, começou a ficar preocupada, com as suas amigas. Elas tinham tanto ciúme dela, que aos poucos começavam a perder as suas cores brilhantes. Se continuasse assim, em breve deixariam de existir. E o céu, seria um enorme espaço vazio, sem ninguém com quem brincar.

— Que se passa Estrelinha? – Perguntou a mãe estrela. – A tua luz está diferente, não tem mais aquele formoso brilho. Estás preocupada, com alguma coisa?

— Não mamã estrela, estou apenas cansada. Tenho brincado muito a noite toda, mais nada.

Assim ficava silenciosamente, não querendo admitir a sua dor e preocupação. Mesmo assim, continuava todas as noites a pedir às outras estrelas, para brincar com ela. Se pudessem brincar juntas, pelo menos uma vez, talvez elas percebessem os seus sentimentos. Assim, seriam mais felizes e as suas cores mais belas. No entanto, todas recusavam brincar com ela, dizendo.

 

— Brincar contigo, porquê? Para apagares a nossa luz, com o teu brilho? Não obrigada.

— Contigo eu não brinco, és estranha. E o teu brilho é diferente do das outras estrelas. Não gosto de ti.

A Estrelinha ficava cada vez mais triste e sentia-se sozinha. Então isolava-se no céu e ficava a olhar as outras a brincar animadas. Perguntava-se…

“Porque era tão diferente das outras estrelas?”

“Porque tinha de nascer assim?”

“Porque ninguém gostava dela?”

“Porque ninguém a amava?”

“Ficaria sozinha para sempre?”

Os dias passavam pouco a pouco e a Estrelinha, sentia-se cada vez mais sozinha e triste. E a sua luz, por sua vez, estava cada vez mais fraca e invisível. E as outras estrelas ficavam a cada dia, mais resplandecentes e vivas. Dizendo sem parar, umas para as outras.

— Olha a Estrelinha. Este é o preço a pagar, por nos tentar roubar o céu.

— Sem ela, somos mais felizes, todas somos belas. – Cantarolava outra.

Seus olhos enchiam-se de lágrimas e o seu coração ficava frio, como o gelo.

“A morte se aproxima.”

Pensava ela, tímida e sozinha. O seu belo vestido de luz, parecia agora, um velho e gasto vestido sem graça.

“É assim que tudo termina? Alguém sentirá alguma vez a minha falta?”

Perguntava-se sem parar, preocupada, mas ao mesmo tempo aliviada. Por as outras estarem bem, mesmo que fosse às suas custas.

“Uma vida pela outra”

Pensou mais uma vez. É um bom sacrifício, elas serão felizes, ninguém sentiria a sua falta. E mais uma vez, ficou no silêncio.

— Estrelinha, Estrelinha no céu tão linda. Ilumina com carinho, o céu da minha vida.

A Estrelinha olhou em volta. De onde veio aquela voz?

— Estrelinha, Estrelinha no céu tão linda. Ilumina com carinho, o céu da minha vida. -Voltou a ouvir a Estrelinha.

“Quem era? Porque chamava por ela?”

O seu vestido estava agora tão gasto, que quase já não emitia mais luz. No entanto, a Estrelinha, decidiu fazer mais um esforço. E emitiu uma luz suave e quente, como não fazia há muito tempo.

— Estrelinha, estrelinha no céu tão linda. Ilumina com carinho, o céu da minha vida.

Ouviu-se mais uma vez, seguido com o som de um riso.

— Quem és? – Perguntou a estrelinha. – Onde estás? Não te vejo.

— Aqui em baixo. – Respondeu a voz.

 

A Estrelinha olhou então para baixo. Lá viu um menino, vestindo umas roupas velhas, tão estragadas, como o seu vestido.

— Porque estás assim? – Perguntou curiosa.

— Assim como?

— Tão sujo e com uma roupa tão velha e estragada. Também vais morrer em breve?

— Morrer? Porque morreria por estar sujo e com roupas velhas? – Perguntou o menino.

— Porque nós morremos, quando os nossos lindos vestidos de luz ficam velhos e estragados. Quando desaparecem, não somos mais que simples pedras. Então caímos do céu.

— Mas eu sou um menino. – Respondeu confuso. – Eu não morro por estar sujo, ou porque as minhas roupas são muito velhas e estragadas. Nós morremos de fome, de sede e de doenças. Não somos capazes de virar pedras, mas os nossos corpos, podem se tornar pó quando morremos.

— Então és diferente de mim. – Ficou triste. – Por isso é que falas comigo, mais ninguém o faz.

— Qual é a razão, de os outros não falarem contigo? – Perguntou curioso o menino.

— Porque ninguém gosta, do meu vestido de luz. Quando eu nasci, a mãe estrela, disse que eu era especial. Era mais pequena, que as minhas irmãs estrelas, mas era capaz de produzir um brilho puro e quente. Quase tão brilhante como o sol. As outras estrelas acham o meu brilho estranho, demasiado forte. Ao meu lado, o brilho delas quase não se nota.

— Isso é triste. – Confessou o menino.

— Mas em breve, tudo será como se eu nunca tivesse existido. E ninguém mais lembrará, que eu existo.

— Lembrará sim. – Respondeu o menino. – Eu lembrarei e a mãe estrela também, se irá lembrar. Ela ama-te.

— Porquê?

— Existe motivos para se amar alguém? – Perguntou apoiando-se na beira da janela, da sua velha casa. – A minha casa, as minhas roupas e até os meus brinquedos são velhos e eu amo-os. Os meus pais, os meus irmãos, são pobres, atarefados e muitas vezes rabugentos. E eu amo-os. O sol chega todo o dia e vai embora no final do dia. E eu amo-o. A lua que brilha no céu, as estrelas, o mar, as flores, as nuvens. Todos existem, vem e vão e eu amo-os. Não existe motivo para amar, eu amo porque amo. Não tenho motivos para o fazer, mas quero o fazer.

— És estranho. – Riu a Estrelinha.

— Rir dos outros é maldade. A minha mãe diz que não devemos rir dos outros, a menos que seja para rir com eles.

— O que isso significa? – Perguntou curiosa.

— Que podes magoar os outros, mesmo que não seja o que queres.

— Rir não é bom?

— Não quando deixa, os outros tristes. – Continuou o menino. – Todos somos diferentes, eu sou pobre e esfarrapado. A minha casa é velha, a minha roupa é velha, os meus brinquedos também são velhos. Até os meus livros e mochila são velhos. Os meninos com coisas novas riem de mim, chamam-me coisas feias e troçam das minhas coisas. Isso é maldade, só porque tem tudo o que querem, não devem criticar os outros.

— É maldade? – Perguntou, pensativa a Estrelinha.

— Sim é, mas eu não estou triste por ter coisas velhas. Os meus pais, não tem dinheiro para mais. Já se esforçam muito, para eu e os meus irmãos temos teto e comida. Para mim, ir para a cama com a barriga cheia, já é um luxo. Ter uma cama quente, já é um luxo. Sabes, existem muitos meninos no mundo, que dormem ao frio e ao relento. Bebem água da chuva e passam dias sem comer nada. Eu estou feliz por ter um teto, mesmo que seja velho e pequeno.

— Eu não sabia. – Ficou triste.

— Não fiques triste por mim, eu sou feliz como sou.

— Porque me chamaste?

— Porque a minha mãe me disse, que cada um de nós, tem uma estrela guia.

— Uma estrela guia?

— Sim, não sabias?

— Não.

— Talvez seja, porque nós humanos, temos uma mente fraca para acreditar. Somos seres, com muitos medos e receios. Trabalhamos sem descanso, para atingir os nossos fins, mesmo que custe a nossa saúde. Somos fracos e frágeis e muitas vezes esquecemos o que é mais importante. A minha mãe conta, que os nossos antepassados pediam ajuda as estrelas. As suas estrelas guia, mas hoje, ninguém mais se lembra delas. Por isso, as estrelas também esqueceram. E por isso perderam o brilho especial.

 

— O brilho especial?

— Sim. O brilho da esperança. Aquele, que nos guia no caminho certo e nos da força para continuar a lutar.

— Porque procuras, o brilho da esperança?

— Porque eu quero, ajudar os meus pais. Eles estão velhos e cansados. Precisam de descansar, mas nunca o fazem. Tem de me criar e aos meus irmãos.

— Mas, não seria melhor se descansassem?

— O meu pai sempre diz, que a maior profissão de um adulto é ser pai. Apesar de esse ser um trabalho muito difícil e cheio de sacrifícios.

— Então porque os adultos têm filhos?

— Não sei. Talvez, para ter quem cuide deles, quando forem velhinhos. Mesmo assim, o meu pai diz que é muito feliz. Mesmo pobre ele, têm um grande tesouro.

— Têm um tesouro?

— Sim. Eu, minha mãe e meus irmãos, nós somos o seu maior tesouro. Ainda ontem, ele me pediu para nunca me esquecer disso. E também, para sempre lhe lembrar que, esse é um bom motivo para viver. Mesmo quando crescer e tiver os meus filhos. Eu devo sempre cuidar deles, como um dia quero ser cuidado por eles.

— Porquê?

— Não sei. Ele disse que entenderia, quando for mais velho.

— Porquê, quando fores mais velho?

— Também não sei.

— Não sabes as respostas, para muita coisa.

— Eu sou uma criança, ainda tenho muito a aprender. Minha avó diz que, a sabedoria vem com o tempo. E um dia, se eu quiser, posso-me tornar o homem mais sábio do mundo. No entanto, tudo na vida tem um preço, e eu tenho de estar preparado para o pagar, quando o momento chegar.

— Porque tens de pagar?

— Nada é de graça. A pouco contaste, que as outras estrelas, não gostavam do teu brilho de luz. O que fizeram elas?

— Elas deixaram de brincar comigo e me deixavam de lado. Diziam, que o meu brilho as incomodavam e que eu era má.

— O que fizeste, para as magoar?

— Nada, eu acho. Eu sempre quis brincar com elas, mas nunca o pude fazer. Então desisti.

— Qual foi o teu motivo, para desistir?

— Porque era, o mais correto a se fazer. A minha teimosia só as deixava, ainda mais chateadas. – A sua luz ficou mais fraca.

— Então esse foi o teu preço. A tua felicidade pela delas, valeu a pena?

A Estrelinha ficou pensativa, era a primeira vez, que contava os seus problemas. E a primeira vez, que alguém lhe perguntava, se alguma coisa valia a pena. Aquele menino, apesar de pequeno, tinha muitas coisas a qual acreditava. E todos a sua voltam diziam, que os seus sacrifícios valiam a pena. O seu sacrifício também valeria? Nessa noite, não foi capaz de responder ao menino, mas desejou viver mais uma noite. Queria voltar a encontrá-lo e aprender mais.

Na noite seguinte.

— Estrelinha, estrelinha no céu tão linda. Ilumina com carinho, o céu da minha vida. – Repetiu três vezes, o menino para o céu.

— Olá. – Respondeu a estrela timidamente. – Voltas-te.

— Que motivo teria, para não voltar. – Perguntou o menino.

— Porque ninguém gosta de mim.

— Eu gosto.

— Gostas?

— Claro que sim, tu és minha amiga.

— Tu queres ser meu amigo? Não me odeias?

— Há motivos para isso?

— Não sei.

— Eu quero ser teu amigo. Não me deixas?

— Claro que deixo, és o meu primeiro amigo.

— E tu és, a minha primeira e única, amiga estrela. – Respondeu o menino sorridente.

— Tu tens, amigos humanos? – Perguntou curiosa.

— Sim. Não são muitos, mas são verdadeiros.

— Como se faz amigos?

— Não existe, uma forma de fazer amigos. Amigos se tornam amigos, apenas temos de tentar sem medos.

— É assim tão fácil?

— É sim. Só tens de tentar.

— Mas as estrelas, não gostam de mim.

 

— Só tens de encontrar, quem goste. Não se pode forçar ninguém a gostar de outra pessoa. Apesar de poderes ensinar, alguém a gostar de ti, conhecendo-te. Muita gente tem medo do desconhecido, do que é diferente. Durante anos os brancos, intimidaram os negros, por os acharem inferiores. Apenas porque, estes eram diferentes. Foi preciso muita coragem, para mudar a sociedade. Hoje somos todos iguais, mas infelizmente ainda existe preconceito.

— Preconceito? O que é isso?

— Preconceito é um pensamento ou atitude errada, feita muitas vezes por falta de conhecimento, inveja, raiva… Um pouco como as outras estrelas, têm por ti. Elas têm preconceito, por tu teres um vestido mais bonito. O vestido não faz a pessoa, é apenas o teu exterior. Elas apenas têm inveja, por não ter um igual. Elas apenas nunca viram a jóia, que é o teu grande coração. Se fossem tuas amigas, elas não veriam mais o brilho do teu vestido, mas sim o brilho do teu coração. Um verdadeiro amigo, não julga o outro pela aparência, não o critica nas suas costas. Ele diz as suas críticas, na sua frente e ajuda-te a encontrar o caminho certo. É alguém, capaz de apoiar-te nas tuas escolhas, mas que também sabe apontar os teus defeitos. É quem, esta lá para ajudar-te a levantar, quando cais. É quem ri contigo, ou faz-te rir, só para que tudo pareça bem. Tu és uma estrela e eu um menino. Um dia, não vou mais poder falar contigo, mas tu estarás lá para mim e eu nunca me esquecerei de ti.

— Vais deixar de falar comigo? Já não gostas, mais de mim? – Fez uma pausa. – Tu disseste que, gostavas de mim, que nunca me ias esquecer. Isso era mentira? Se não era… porque me vais deixar sozinha, na escuridão.

Uma chuva suave e quente começou a cair do céu. A estrela estava a chorar, pensando no quanto seria difícil, se despedir do único amigo que tinha.

— Eu não me quero despedir. Eu gostava, de sempre poder falar contigo. No entanto, eu não vou ser criança para sempre. Um dia vou virar adulto e os adultos não falam com estrelas.

— Não? Os adultos não gostam, das estrelas?

— Gostam. Os adultos também olham, para o céu. Talvez isso lhes lembre, um pouco a magia da sua infância. Aquilo, que a idade deixou para trás.

— O que deixaram para trás?

— A inocência, de um o coração puro de criança. A minha avó diz, que os adultos se preocupam tanto, com os seus medos e desejos. Que o seu mundo parece, mais pequeno. Então se esquecem da magia, de ser crianças e aí… deixam de acreditar no mundo. Talvez seja por causa da saudade, que sentem da sua infância, ou por aquilo que gostavam de ter vivido nela. Eu não conheço a verdade e talvez, eles também não. No entanto, eles desejam essa magia e não querem, que a percamos tão cedo. A magia de sonhar e acreditar, que tudo é possível. A magia de ver o mundo, com outras cores. A magia, que torna tudo fantástico, que nos dá esperança e fé no amanhã.

— É o que acreditas?

— A minha avó diz que, o mundo é muito cruel. Que é preciso aprender a lidar com ele e saber como o enfrentar. Eu acredito nela.

— Mas eu ficarei sozinha, novamente. Eu não quero isso, não gosto de ficar só.

— E não vais. Tu nunca estarás sozinha, sempre vai existir alguém.

— Quem?

— Os teus novos amigos.

— Mas eu não sei fazer amigos.

— Só tens, de ser tu mesma.

A Estrelinha ficou a pensar, no que o menino lhe disse. E nesse dia ficou a observar as outras estrelas. Ficou admirada, como naquele céu existia todo o tipo de estrelas. Todas eram tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. E todas se divertiam ao seu jeito e eram felizes assim. Também tinha de tentar, estava na sua hora de ser feliz.

Na noite seguinte, quando o menino a chamou, a Estrelinha não podia ficar mais radiante. Não tinha desistido de viver, ia lutar e procurar alguém que quisesse ser seu amigo. Feliz pode mostrar, um vestido mais luminoso, que se curava a cada dia. Tudo graças ao seu querido e único amigo humano.

Longe dos olhos daquelas, que gozavam com ela. A estrelinha procurou novas amigas. Alguém disposto a brincar com ela e a conhecê-la. Assim, aproximou-se de uma pequena estrela, que brincava sozinha cantarolando.

— Que música linda. – Disse sem pensar.

— Obrigada. – Sorriu a outra estrela. – É a canção da mamã estrela, foi ela que me ensinou.

— Também posso aprender? – Perguntou timidamente.

— Sim. – Sorriu. Cantarolando em volta da Estrelinha, a linda canção.

No céu brilhante, que brilha sem par.

Vem uma estrela, no céu a bailar.

E roda, roda e volta a rodar,

Estrelinha linda me vem animar.

Eu quero ver o céu e o mar,

Estrelinha vem, que eu vou cantar.

Tu és minha amiga, e vens-me animar,

Estrelinha linda, eu quero bailar.

E roda, roda e volta a rodar,

Estrelinha linda vem ser o meu par.

Eu quero ver o céu a bailar,

Num giro, único de luzes no ar.

A estrela que brilha no alto do céu.

É tão pequenina, que brilha sem véu.

Não sei se me ouves,

Ou me vais escutar.

Estrelinha, que sabes,

Meu nome e meu lar.

E roda, roda e volta a rodar,

Estrelinha linda vem ser o meu par.

Menino que ao mar, a estrela lançou,

Voou, para o céu, seu brilho ganhou.

Luz da esperança, na noite sem luar,

Brilha para mim, me guia ao meu lar.

E roda, roda e volta a rodar,

Estrelinha linda vem ser o meu par.

 

Estrelinha adorou, aprender aquela canção e ainda ganhou uma nova amiga. A sua primeira amiga estrela, alguém que não a criticava, pelo ser brilho. No entanto, havia alguma coisa naquela canção, que a incomodava. Algo que ela, não entendia e que parecia ter algum significado, para a sua vida. Então nessa noite, a Estrelinha procurou a mãe estrela, para lhe perguntar.

— Mamã, posso fazer uma pergunta?

— Sim Estrelinha, o que foi?

— Eu aprendi agora uma música, que falava de um menino, que atirou uma estrela ao mar. E ela voou para o céu, para o guiar de volta ao lar. É verdade?

— É sim. – Sorriu. – É a música da primeira estrela, a estrela guia.

— Existem estrelas guia?

— Hoje são raras, mas no passado existiram milhares. Chegou até a existir, uma por cada homem na terra.

— O que lhes aconteceu? – Perguntou curiosa.

— Os homens esqueceram-se delas e sem nada para fazerem, simplesmente começaram a desaparecer.

— Oh… – Ficou triste.

— Sabes Estrelinha, diz-se que de milénio em milénio, nasce uma estrela com um brilho semelhante. A herdeira, do brilho da primeira estrela.

— Herdeira?

— Sim. Uma estrela, que recebeu o brilho da primeira estrela.

— E quem é, essa estrela? Mamã.

— És tu, Estrelinha. Tu é que herdaste, o brilho da primeira estrela.

— Eu? Como? – Perguntou admirada.

— Nasces-te com ele, por isso eu te dei o nome de Estrelinha. Como o da grande mãe estrela, a mãe de todas nós.

— Então eu sou especial?

— Querida, todas somos especiais à nossa maneira. Só temos de encontrar, o nosso jeito, de fazer as coisas acontecerem. Quem disse, que não eras especial?

— Todas. – Ficou triste. – Todas dizem que eu sou estranha, que o meu brilho é muito forte e diferente.

— Oh querida. – Ficou preocupada. – Porque, não me contaste antes? Claro que és diferente, mas ser diferente é algo bom. Se fossemos todas iguais, a vida seria demasiado… previsível. Uma seca… como vocês, jovens dizem.

— Mas elas, não gostam de mim.

— Porque, elas não te conhecem. Elas têm tanto medo, que sejas mais especial, que não te deixam entrar na vida delas.

— Medo… Alguém me falou de medos, bem recentemente. – Lembrou-se do menino.

— Todos nós, temos medo de alguma coisa. Vou-te contar uma história…

“Há muitos séculos atrás. Anos depois, da primeira estrela ir para o céu. Uma pequena estrela herdou o poder, da primeira estrela. Tal como tu, aquela pequena estrela era rejeitada, pelas outras. No entanto, um dia algo mudou. Ela viu que na terra, um menino especial também havia nascido. Alguém que o mundo, queria conhecer. Então, a pequena estrela percorreu o céu, anunciando o seu nascimento. Ajudou também, quem quisesse, de coração puro, a encontrar o local. Os humanos chamaram, a pequena estrela guia, de Estrela do Natal.”

— Eu também posso ser assim especial?

— Claro, que sim. Não existe a palavra impossível, para quem acredita e tem fé. Só os fracos e cobardes acreditam, nos limites impostos. Apenas tu, minha querida. Apenas tu, podes mudar o teu destino e escrever uma nova história de esperança e amor.

Na noite seguinte, a Estrelinha contou ao menino tudo o que havia acontecido. Ele estava maravilhado, com cada palavra. Queria fazer parte da história, mas também queria poder contar, cada palavra da mesma. Juntos, desejaram ser mais e viver cada vez mais e mais. Assim, o menino pegou numa pequena folha de papel e junto com a sua estrela, escreveu. Escreveu, cada uma das suas conversas, com a estrelinha. Tudo o que aprendeu e viveu, com a sua querida amiga.

Anos mais tarde, já o menino se estava a tornar um adulto e as conversas com a Estrelinha, eram cada vez mais raras. Ele conheceu um senhor, o seu trabalho era procurar novas e bonitas histórias. Fazendo com que as mesmas chegassem, a todas as pessoas, ele era editor de uma revista. Com aquele primeiro passo, o menino pode encontrar o seu caminho. Aquele, que ditaria o seu destino e a realização dos seus sonhos. Um escritor, que aos poucos se tornou conhecido, por todos os lugares no mundo. Levando a alegria, nas suas letras, a esperança e a coragem, nas suas palavras e a luz da sua amiga.

A Estrelinha ficou, no céu a olhar cuidadosamente pelo seu amigo. Recuperou, pouco a pouco o seu brilho, que durou durante séculos. Protetora dos sonhos e das esperanças. Orou, por todas as crianças de coração puro. Para que estes não fossem totalmente corrompidos, pelos medos e os anseios da vida. Para que, sempre pudesse existir uma luz no fundo do túnel, para quem acredita em si mesmo. A luz da esperança e do caminho certo a se seguir, rumo à felicidade.

A Estrelinha, nunca mais voltou a falar com nenhum outro menino. Uns acreditam, que tenha sido pela dor, de nunca mais ter conseguido ouvir novamente, a voz do seu amigo. Apesar de o ver, todas as noites de luar, a observar o céu, em busca da sua querida amiga. Orando pela esperança e pelos sonhos dos seus filhos. Dos netos, que nasceram anos depois. Dos bisnetos, que se seguiram, até que a luz dos seus olhos deixou de brilhar. E a estrelinha, deixou cair uma chuva suave e serena, cheia de promessas por falar.

Desde aquele dia, a estrelinha brilhou pura. Dentro de todos os corações, daqueles que acreditavam nela. Que tinham sonhos, esperança e amor. Estendendo, os seus raios de luz para que, mais ninguém no mundo estivesse sozinho. Essa era a sua missão, o seu destino, o caminho que escolheu. Aquela era a sua vida e não existia ninguém no mundo capaz, de a desviar do seu rumo.

“Agora tinha um objetivo, que a fazia muito feliz” objetivo, que a fazia muito feliz”

 

 

Fim…

 

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