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O certo no incerto – Capítulo 10

Eu não podia imaginar, que um dia eu seria um verdadeiro poço de raiva, mais para uma bomba prestes a explodir. Que eu podia não me controlar, ao ponto de sentir uma enorme vontade de o matar. Eu não quero a Leandra perto dele, eu não quero que ele ocupe o meu lugar ao lado delas. No passado eu tive de ser mais rápido, tive de correr para ficar com o coração da Leandra, para impedir que ele ma roubasse. E para quê? Para num simples deslise, uma escolha mal feita, ele roubar o que é meu por direito? Não… não mesmo, eu não vou deixar, nunca que vou permitir que ele roube a minha mulher e a minha filha. Elas são minhas, minhas e apenas minhas, nenhum homem neste planeta as vai tirar de mim. Não agora que eu recuperei o meu lugar, que estou a recuperar o tempo perdido. Eu não a posso perder, eu não posso perder a minha filha, eu tenho que a impedir de sair. Eu não o posso deixar conquistar a minha mulher, porque raio eu tive que lhe abrir o caminho. Porque deixei o orgulho falar mais alto, porque eu fui egoísta ao ponto de pensar só em mim?

Já estava a ponto de me levantar e trancar a Leandra no seu quarto, quando a campainha tocou. A contragosto levantei-me do meu sofá e caminhei até a porta, encontrado ali o motivo de toda aquela fúria. O rico advogado, o mesmo tipo que me tentou passar a perna há anos atrás e agora esta a fazer o mesmo. Que me obrigou a assinar um documento qualquer, porque acreditava que eu estava a casar por dinheiro e não por amor. Como se eu fosse capaz disso, afinal foi o dinheiro que nos afastou, eu nunca quis o seu dinheiro. Aliás, eu preferia que ela fosse uma pobre escritora a viver as minhas custa, do que o contrário.

— Ora, ora, se não é o infiel que largou uma mulher grávida, para ir atrás de uma aventura. – Disse sarcástico assim que abri a porta, eu odiava este tipo, sempre a fazer-se de bom aos olhos das mulheres.

— Ora, ora, se não é o advogadozinho de meia tigela, que tenta roubar as mulheres alheiras. – Respondi no mesmo tom.

— Que eu saiba, a Lea está livre desde que a abandonaste. – Riu de forma sarcástica. – O contrato que eu te fiz assinar, só reforça a minha afirmação. Ela só precisa de me pedir, que eu a livro de ti, em dois tempos. – Estalou os dedos na minha frente, enfatizando a frase.

— Canalha… – Rosnei com raiva.

— Isso, ataca-me. – Eu não estava a gostar daquele olhar, ele estava a tramar alguma coisa. – Arranja-me mais um motivo para te arruinar, para te deixar de vez no teu lugar, na lixeira mais longe possível.

— Isso tudo é raiva, porque a Lea me escolheu, em vez de ti? Porque ela é minha esposa, mãe da minha filha, porque ela sempre me pertenceu?

— Disseste bem pertenceu, não vai pertencer mais. – Eu enfiava a minha não na cara presunçosa dele, se isso não fosse complicar mais a minha situação. – Depois de hoje, será apenas uma questão de tempo, até ela ser minha de corpo e alma. E logo depois, eu só tenho de conquistar a tua filha, quando deres por ela eu é que serei o seu pai, a tua família será minha. A família que me roubaste no passado, o que é meu por direito, eu vou recuperar tudo. Afinal quem fica melhor ao lado de uma escritora famosa, do que um advogado famoso.

— Cabrão, eu nunca vou permitir que destruas a felicidade da minha mulher e da minha filha. Elas são minhas e sempre vão são, errei uma vez, mas eu não cometo o mesmo erro duas vezes.

— Isso é o que veremos. – Sussurrou baixo, com uma expressão diabólica no rosto, que logo se tornou mais suave e neutra. – Boa noite Lea, estás magnífica.

Virei-me encontrando a minha esposa pronta para sair, absolutamente linda, mas aquilo tudo não era para mim. Não foi para mim que ela se arranjou, foi para o imbecil, que a espera a porta da nossa casa. O mesmo filho da puta que quer rouba-la de mim, roubar a minha filha e destruir toda a minha carreira. Nem em sonhos, que o vou permitir e o pior é que sei que a Leandra não vai acreditar em mim.

— Obrigada. – Sorriu. – Também estás muito elegante.

— Vamos donzela. – Dobrou-se como um cavalheiro, oferecendo-lhe o braço para ela segurar.

— Sim claro.

Eu estava a ficar enjoado, com toda aquela lamechice, com o brilho do seu olhar e o seu sorriso encantador. Dada daquilo devia ser para ele, ela não pode ir com ele, não posso permitir. Se ela for… não… não eu não a posso perder, ela é minha e tem de continuar a ser minha, até que a morte nos separe. Eu tenho de a fazer desistir do divórcio e recuperar a nossa ligação como casal.

— Leandra, não achas que seria melhor, não apareceres a essa festa?

Perguntei nervoso, eu não queria mesmo que ela saísse de casa com ele, se e ele tentasse alguma coisa? Nunca me perdoaria, por não a ter impedido.

— E porque ficaria?

— Eu… eu… acho melhor não ires, vai ficar mal para a tua imagem. – Respondi a primeira coisa, que me veio à cabeça. – Não vai ser bom uma mulher casada, aparecer com outro homem, isso vai prejudicar a tua imagem. E…

— CHEGA. – Gritou assustando-me. – Tu não mandas em mim, tu não tens moral para dizer o que quer que seja. Se não te importaste com a minha reputação no passado, porque tens de te importar com ela agora?

— Lea eu…

— Tu vais ficar calado e quieto, se te incomoda tanto com quem eu saio ou deixo de sair. Então tens uma boa opção, faz as malas e vai embora.

— Deixa só a morada ou o contacto do advogado, para eu enviar os documentos oficializado a separação. – Sorriu vitorioso, deixando-me ainda com mais raiva. – Vamos Lea?

Impotente vi a Lea virar-me as costas e aceitar o braço que aquele filho da mãe, lhe ofereceu. Que raiva eu sinto, dela, de mim, daquele… o que eu posso fazer para conquistar de novo a minha mulher?

Assim que a vi entrar no carro no carro do… bati a porta com toda a força que tinha, com toda a raiva que sentia e só podia imaginar quanto dinheiro foi gasto nela. Como aquela porta devia ser cara e da melhor qualidade, só pelo simples facto de ainda estar intacta. Como aquela mulher, me pode trazer sentimentos são confusos? Num momento, estou a ponto de a raptar para não a perder e no outro só a quero longe, por me sentir inferior. Eu não posso ficar nesta casa, enquanto ela se diverte. Eu vou dar em louco, se ficar aqui quieto a sua espera.

Sem perder tempo corri para o meu quarto e troquei de roupa. Peguei no telemóvel para conferir as horas e fiquei a olhar o papel de parede no meu telemóvel. E mais uma vez, senti o chão a fugir dos meus pés. Sem que nenhuma tivesse dado conta, eu tirei uma foto da Lea e da Lia a brincarem no jardim. As duas estavam abraçadas e riam sem parar, felizes, genuínas, havia carinho e amor no ar, tanto que aquela cena contagiava qualquer um que olhasse. Eu não resisti a imortalizar aquele momento, nós pareceríamos uma família e eu estava a adorar cada segundo, que passava com elas. Até já andava a pensar, que devia transferir-me novamente para a filiar de cá. Não ia ser difícil, já que eu acabava por fazer trabalho para as duas filiais muitas vezes, mesmo estando longe. Por isso, tudo será bem simples no trabalho, apenas mudaria de sede. Talvez algumas vezes tivesse que viajar, voltar lá para algumas reuniões e apresentações, mas não seria nada de mais. Eu estaria com a minha mulher, a minha filha e quem sabe… não arranja-se-mos em breve um rapaz também. Isto se… se esta noite… eu nem quero imaginar o que pode acontecer esta noite. Eu vou matar aquele cabrão se ele tocar na minha mulher, eu vou me vingar por cada palavra que ele disse. Ele que não se atreva a tocar no que é meu, na frente da Leandra eu não posso fazer nada. Infelizmente ela foi iludida por ele, sem contar que ele pode arranjar qualquer motivo para me pro atrás das grades, só para ficar com o caminho livre. Por que raio eu tive de estragar tudo, o que me passou pela cabeça, para esquecer o que eu sinto por aquela mulher.

De repente o meu telefone tocou tirando-me dos meus pensamentos, exibindo o nome da Júlia. Recordando-me de tudo o que eu perdi, ficando com ela, de tudo que a minha vida podia ter sido. Se eu não a tivesse conhecido, talvez tivesse voltado a casa mais uma vez, ai ia saber da gravidez da Leandra. Voltaria para casa, ou a levava comigo e tudo ficaria bem. Não teria o Filipe ou outro homem qualquer, atrás da mulher que eu amo, que sempre amei. Não estaria preste a perder a vida que eu sonhei contruir ao lado dela, de destruir todos os votos que fiz no dia do nosso casamento. Ok a parte do fiel, foi um grande deslize, mas a verdade é que a única mulher com quem eu trai a Leandra foi com a Júlia. E fui fiel a ela até hoje, até ter apercebido do meu erro. Que burro eu fui… Num acesso de raiva atirei o telemóvel contra a paredes, destruindo-o por completo. Tal como eu me sentia destruído por dentro, só de imaginar o meu futuro sem elas. A dor estava tão angustiante que eu sai de casa a correr, entrei no meu carro e parti para o bar mais perto. Não sei quantas bebidas ingeri, quantas mulheres se fizeram a mim, principalmente as que tentavam extorquir-me algum dinheiro, ou algo que eu tivesse. O problema era que cada aproximação delas, só me fazia lembrar do meu erro, do preço dele. E isso só me fazia beber mais e mais, até que a minha consciência não era mais a mesma. Quando não me venderam mais nada, eu sai de lá e caminhei pela rua, sentindo o vento frio no meu rosto. Quando me comecei a sentir mais sóbrio, entrei em outro bar e bebi mais, até que esse me expulsou também. Eu sabia que ninguém me venderia mais nada facilmente, mas eu precisava de mais. O álcool naquele momento, era como um analgésico para a minha dor, eu sabia que a solução era apenas temporária. Que tudo ia voltar mais forte no dia seguinte, mas eu não aguentava mais, eu precisava daquilo. Assim que encontrei um mendigo, aproximei-me dele, entreguei-lhe algumas notas e pedi que ele entra-se numa loja ainda aberta. Disse que o recompensava depois e ele assim o fez. Pouco tempo depois ele estava de volta, com 2 garrafas de uísque e uma de vodka. Peguei na garrafa de vodka e em outra de uísque, deixei algumas notas ao homem e sai dali. Ele ainda me chamou, perguntando pela outra garrafa, mas eu disse-lhe que era um presente. Para ele não beber tudo de uma vez e aproveitar o que a vida tem de melhor.

Continuei o meu caminho a pé para casa, enquanto bebia o conteúdo de uma das garrafas, aproveitando a calma que o mesmo me trazia. Não sei como cheguei a casa, ou como abri a porta da mesma, sinceramente eu nem sabia como ainda estava de pé. O mundo girava a minha volta, os objetos triplicavam ao meu redor e eu ria sem sentido da minha sorte. O silêncio esmagador da casa vazia, parecia sufocar-me, era como uma premonição do meu futuro. Bebi mais alguns goles da garrafa, mas não parecia ajudar, só esperava desmaiar de bêbedo, antes de dar em maluco. No desespero procurei algum filme e acabei por encontrar o que seria o vídeo do nosso casamento. Imagens do nosso casamento começaram a surgir e pela primeira vez eu agradeci, por estar a ver a dobrar. A imagem de várias Leandras a sorrir para mim, era mais calmante que o álcool, era como uma droga sem a qual podia viver. Fiquei atento a cada imagem, até que chegou a hora dos votos. Ouvir as minhas palavras, que pareciam tão sérias e verdadeira, sabendo que não as respeitei. Deixou-se com uma ânsia no estômago, olhei para a garrafa ao meu lado e despejei o sem conteúdo, pela minha garganta. Eu engolia cada gola d líquido, como se a minha vida depende-se disso, como se fosse a minha liberdade para longe dali, longe da dor. O resto da noite, foi como um borrão na minha mente, entorpecida. Eu sei que o filme ainda passava na televisão, mas eu não era capaz de prestar atenção em mais nada. O álcool tinha finalmente, feito efeito e eu era agora uma casca vazia em transe.

Até que a porta da frente se abriu e uma ou várias Leandras sorridentes, entraram na sala. O problema é que quando me riram e as garrafas que me acompanhavam vazias no chão, logo fecharam a cara com desgosto. Levantei-me e caminhei em direção da Leandra, que estava no meio das outras, ou pelo menos tentei. Já que uma delas agarrou-me impedido que caísse ou choca-se contra alguma coisa.

— O que raio aconteceu, para beberes assim? – Perguntou irritada.

— Porque saíste com ele? Porque não ficas-te em casa comigo?

— Tu não mandas em mim, eu tenho uma vida própria, uma vida sem ti. Seja o que for, nada é desculpa para beberes assim…

— Eu não te quero com ele. – Toquei o seu rosto. – Ele quer te tirar de mim, mas tu és minha, sempre vais ser.

— Carlos… precisas mesmo de um banho frio e de uma boa noite de sono. Tu estás muito…

— Eu estou bem, muito bem. – Apoie-me nela, sentindo o seu cheiro, enquanto me deixava levar. – Que cheiro é este? Porque tens o cheiro dele? Ele tocou-te, não tocou? Aquele… aquele…

— Não tens nada haver com isso, mas para ficares mais calmo, nós dançamos algumas músicas e no fim ele emprestou-me o casaco. A noite ficou mais fria…

— Mas ele tocou-te… aquele canalha tocou-te, ele aproveitou-se de ti. Aproveitou que eu não estava… eu não quero o cheiro dele em ti, nada dele… tira… tira, eu vou limpar o cheiro dele.

Tentei-lhe tirar o vestido, queria arrancar a sua roupa, queria eliminar o cheiro que sentia e a sensação que ele roubou um pouco do que é meu. Enquanto eu lutava para tirar o vestido, a Lea tentava impedir-me, quando nos desequilibramos e caímos sobre a minha cama. Não sei como cheguei até ela, mas a Lea estava tão próxima, tão sedutora. Que eu não resisti e ataquei a sua boca, as minhas mãos passeavam pelo seu corpo, descobrindo novas e irresistíveis curvas. O toque da sua pele, o seu gosto, faziam o meu coração bater mais forte e a minha mente girar. O calor do seu corpo, era tão familiar e trazia-me um grande conforto, tanto que senti os meus músculos relaxarem e uma paz envolver o meu ser.

 

Continua…

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