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O certo no incerto – Capítulo 13

Estar nos braços dele, nem que fosse por algo tão insignificante, como evitar que eu caísse ao chão. Era algo tão bom, como se estivéssemos romanticamente evolvidos, e eu era capaz de ficar ali para sempre. Infelizmente, a realidade era outra e ele logo se afastou.

— Estás bem, magoaste-te? – Ele estava preocupado, tão querido…

— Eu disse, eu estou bem… muito bem… – Mordi o meu lábio, enquanto observava os dele, sedenta por os morder.

— É melhor levar-te para o quarto, não confio que chegues lá inteira. – Mencionou, colocando uma mão em volta da minha cintura, equilibrando-me enquanto caminhávamos.

— E se eu quiser, que tu não me deixes inteira? – Ah, quem acabou de falar? Não fui eu certo? Aquelas palavras, não podem ter saído da minha boca.

— Não queres o quê?

Perguntou incrédulo, de certa forma, ainda bem que ele é tapado. Se não fosse eu não sei o que faria, se seria o meu fim ou o começo de algo. Quando chegamos ao quarto, o Carlos sentou-me na cama e caminhou até ao closet, regressando pouco tempo depois com o meu pijama.

— Anda, é melhor tomares um banho antes de te deitares, eu ajudo-te. – Disse ajudando-me a levantar.

— Vais entrar no banho comigo? – A minha boca andava solta de mais, maldito álcool, não era para ser assim.

— Só te vou ajudar, não me vou aproveitar do teu estado.

Disse sério virando-se para ligar o chuveiro, enquanto eu começava a despir a minha roupa. Quando ele se virou para mim, para me ajudar, o meu vestido já estava no chão. O seu olhar quente, percorreu todo o meu corpo calmamente, uma vez perante outra.

— É… a… – Engoliu em seco, antes de coçar a cabeça, ele estava desesperado por se controlar. – A água está ótima, podes entrar.

Tirei o resto da minha roupa, enquanto ele me observava de lado, tentando desesperadamente não me dar muita atenção. O seu jeito cuidadoso e ao mesmo tempo, que tentava ser o máximo de respeitador possível. A forma que ele estava a agir, só me dava mais vontade de o provocar e eu sentia-me mais solta do que nunca. Ainda mais agora, que percebi que ainda me deseja e muito, observando o volume das suas calças.

— Não vais entrar comigo?

Aproximei-me, encostando o meu corpo ao dele, que logo ficou reto e duro. Eu estava a sentir-me poderosa, não sei se era elo que bebi ou pela sua reação ou mesmo pelas duas juntas. Seja como for, eu estava mesmo a adora-la, a sentir-me a mulher mais sedutora do mundo.

— É melhor entrares debaixo de água… rápido… – Suplicou, quando sentiu o meu corpo roça no seu.

— Tens a certeza, eu não quero entrar sozinha. – Comecei a puxar a camisola dele, mas fui detida.

— Leandra, é melhor parares, tu não estás normal… por favor…

— Tens a certeza, nós podíamos nos divertir hoje. – Coloquei-me de frente para ele, passando a minha mão de leve no seu braço. – Não tens saudades de me tocar, de me amar.

— Muito.

Engoliu mais uma vez em seco, depois de espreitar o meu corpo quase colado ao seu. Quando ele se tentou afastar, eu agarrei-o pelo cinto, puxando-o de leve para mim.

— Entra comigo. – Sussurrei, libertando-o do seu cinto. – Eu quero que me dês banho, que passes o sabão em cada parte do meu corpo, nu… molhado… quente…

Ele ficou quieto alguns minutos, absorvendo as minhas palavras, antes de perder a cabeça e entrar comigo no chuveiro, ainda vestido. Beijando-me com fome e saudade, enquanto as minhas mãos viajavam pelo meu corpo, libertando-o da roupa molhada. Se eu já mal tinha noção das minhas ações, depois que ele me tocou, eu entrei num completo transe de sensações e prazer. Eu sentia-me a queimar, cada vez que sentia o toque dos seus lábios, na minha boca, no meu pescoço, nos meus seios… as suas mãos, que deslizavam lentamente pelo meu corpo, apertando-o levemente ou dando uma ou outra palmada, deixando-me excitada e a espera por mais. Levando-me ao céu, fazendo-me ouvir anjinhos a cantar, com a doce melodia do prazer. Depois da nossa aventura, molhada… em todos os sentidos possíveis e impossíveis… ele cuidou de mim, amou-me mais uma vez, mimou-me e ainda me aninhou no seu peito, onde adormeci esgotada e satisfeita.

Na manhã seguinte acordei ainda nos seus braços, como a muito tempo isso não acontecia, era estranho, mas era tão bom. Quase como se eu tivesse regressado a casa, como se voltasse ao meu lar. Estava tão bem, tão confortável, que me voltei a deitar, como se nunca tivesse acordado apreciando o seu calor, sentindo o seu respirar calmo, enquanto escutava o bater do seu coração. Já estava quase a adormecer novamente, quando o sentir a mexer e a sua mão a tocar o meu cabelo de leve, acariciando-o com calma e cuidado para não me acordar.

— Desculpa querida, desculpa-me por tudo o que te fiz passar. – Sussurrou, depositando um beijo leve, na minha cabeça. – Eu te amo linda, nunca duvides disso, eu vou sempre te amar.

Eu queria responder-lhe, queria lhe dizer que também o amava, mas algo me fazia querer ficar quieta. Apenas apreciando o seu toque, apreciando o momento que era só nosso, como uma raridade. E como tudo o que é bom, infelizmente tem um fim, eu tive de acordar. Não pela minha triste realidade, mas porque o corpo não respeita a paz, que se instalou entre nós. Devagar fingi acordar, mexendo-me lentamente, sentindo as suas caricias aumentar, juntamente com os seus beijos.

— Bom dia princesa. – Disse com ternura, acariciando o meu rosto.

— Bom dia. – Respondi preguiçosamente, deixando um beijo casto na sua boca.

— Posso acordar assim, todos os dias? – Perguntou, enchendo-me o rosto de pequenos beijos, fazendo-me rir.

— Isso só depende de ti.

— Aí é? – Perguntou girando sobre mim, prendendo o meu corpo, contra o seu. – Se depender de mim, não sais desta cama, o que fará da minha vida… Desta vez, não te livras de mim amor, não vou cometer o mesmo erro duas vezes. – Beijou-me de forma meiga, um beijo calmo e cheio de paixão. – Só vou precisar de um pouco de tempo, para poder resolver tudo, vou ter de pedir desculpas a algumas pessoas e depois sou todo teu. Teu até ao fim dos tempos, todo teu até a próxima vida e a que vier depois disso, eu te amo, mais do que algum dia podia amar alguém.

Eu senti-me derreter nos seus braços, com o calor reconfortante do seu corpo, com as palavras que me deram esperança, por um novo dia, um novo começo. Infelizmente, a natureza voltou a chamar-me, lembrando-me do motivo pelo qual tive de fingir acordar. Depois de mais um beijo, desenvencilhei-me dos seus braços, levantei-me e caminhei para a casa de banho. Assim que terminei, entrei no chuveiro, aproveitando para relaxar o corpo e limpar a mente, sentindo a água lavar a minha alma. Até que dois braços forte, envolveram a minha cintura tirando-me do meu transe. Para me levarem novamente a lua, num bilhete que prometia loucuras e muitos gemidos de prazer. Louca por mais, louca por ele, a razão não era mais razão e eu só queria apreciar a vida, apreciar o momento. Assim que terminamos, saímos do chuveiro, eu sequei o meu cabelo, passei creme no meu corpo e vesti um vestido leve. Enquanto ele foi para o seu quarto, já que todas as suas coisas estavam lá, o que depois desta noite, parecia que ia mudar. Assim que terminei caminhei até a cozinha, tinha de preparar alguma coisa, para comermos, quando a campainha tocou.

— Será que a Sofia, veio trazer a minha pequena mais cedo?

Questionei-me confusa, já que quando a Lia dormia fora, a Sofia nunca a trazia antes do almoço. Aliás, na maioria dos casos, ela só a entregava depois do lanche e algumas vezes depois do jantar, tudo dependias dos planos. Mesmo assim, nem me dei ao trabalho de atender no videoporteiro e simplesmente destranquei o portão. Quando ouviu o clique de ele ter sido aberto, caminhei até a porta e abria dando de caras com uma mulher elegante, vestindo um vestido justo cor de vinho. Os seus saltos agulha, deixavam-na bem mais alta, do que ela já era, deixando-a com um ar sofisticado.

— Bom dia, posso ajudar? – Perguntei curiosa, quem ela era?

— Diga ao Carlos, que eu estou aqui. – Disse arrogante, avançando em direção a porta.

— E quem és tu? – Perguntei barrando-lhe o caminho, definitivamente não gostei desta mulher.

— Júlia, Júlia Teles.

Disse arrogante, como se eu fosse obrigada a saber quem ela era, hipócrita… espera ai… o nome dela é Júlia? Júlia a amante do Carlos? Quando eu precebi por quem ele me tinha trocado, com quem ele andava a dormir este tempo todo, enquanto eu criava uma criança sozinha. Foi como se uma pequena bola de lava, cresce-se entro de mim e aos pouco ela aumenta-se de tamanho. Da mesma forma que o meu odio, crescia dentro de mim, pouco a pouco.

— Eu aviso que passaste cá, agora podes ir embora. – Rosnei, ela não ia pisar na minha casa.

— Avisar? – Perguntou surpresa. – Por acaso sabes, com quem estás a falar?

— Sei, por isso mesmo é que te estou a mandar embora. – Respondi séria. – Se bem quem nem daquele portão devias ter passado, erro meu, que não confirmei quem era.

— Que insolente, a primeira coisa que eu vou fazer quando for dona de tudo isto. – Apontou com as suas grandes unhas postiças, cor de sangue. – É porte na rua.

— Quero te ver tentar. – Cruzei os meus braços, estava a gostar do seu tom de desafio, ela definitivamente não sabe com quem esta a jogar.

— Quem tu pensas que és. – Tirou os óculos, revelando os seus olhos castanhos, que me avaliavam de cima a baixo.

— A dona desta casa, a mulher de quem o teu noivo, não se quer divorciar. – Respondi surpreendendo-a.

— Então tu és aquela mulherzinha, que ele trocou por mim e eu a pensar que ele tinha melhor gosto. Já que ele me escolheu, só podia ter bom gosto, mas parece que o gosto dele é questionável. – Que gaja falsa e nojenta, eu não sei fico mais irritada porque fui traída, ou se porque fui trocada por esta… esta… ah… este projeto de silicone.

— Olha aqui, seu projeto de barbie, tu vais desaparecer da minha casa e é agora. – Avancei ameaçadoramente na direção dela. Eu só queria que ela me desse um motivo, para esmagar aquele pedaço de carne moreno, que ela chamava de pescoço.

— Tenta? Tenta e eu grito. – Tentou me desafiar. – Será fácil tirar uma louca daqui, é só interná-la num manicómio e está feito.

—Tenta.

Desafiei mais uma vez aproximando-me dela, eu podia ser bem mais pequena, se isto fosse uma luta de cães. Ela certamente seria um caniche com pedigree e eu uma pincha, mas não seria pelo meu tamanho, que eu devia ser desvalorizada. Eu sei bem ladra e mais do que isso, eu sei quando devo mordeu e ela anda a pedir uma boa dentada, das que arrancam pedaços.

— Quem é Lea? – Ouvi a voz do Carlos, atrás de mim. – Júlia?

— Bombonzinho… – Correu na sua direção, atirando-se nos seus braços.

— O que fazes aqui?

Perguntou afastando-a, o máximo que conseguia. Ele parecia surpreso e também confuso, eu sabia que ele não esperava a sua presença, mesmo assim não conseguia evitar ficar irritada por isso.

— Vim te buscar claro, nos temos um casamento para preparar amor. – Falsa, sonsa, duas caras…

— Nos precisamos de conversar, mas este não é a hora nem o local. – Disse, espreitando a minha reação. – Agora é melhor voltares para casa.

— O que estás a dizer Carlos? – Olhou-o confusa, mas logo recuperou e atirou-se novamente para os seus braços, tentando-o seduzir. – Nós vamos casar logo e também já não nos vemos a muito tempo. Eu tenho saudades, a cama tem estado tão vazia e tenho me sentido tão sozinha. Vamos para casa, vamos matar a saudade.

— Desculpa Júlia, mas eu não posso ir contigo. – Respondeu, afastando-se das suas investidas. – As coisas mudaram, eu ainda sou casado e amo a minha esposa. Eu não devia ter me envolvido contigo, eu nunca devia ter traído a mulher que eu escolhi, para ser minha. Eu cometi um erro grave com as duas, não tenho qualquer desculpa, eu não mereço perdão. Apenas espero que sejas feliz, que encontres alguém que te mereça, mais nada.

— O que? – Olhou para nós confusa, a sua sedução não tinha funcionado e eu estava feliz por isso. – E eu? E o nosso bebé?

— Desculpa… Bebé? Como assim bebé?

Não, não pode ser, deve ser mais uma mentira dela, ele não a pode ter engravidado, a história não se pode repetir… Por favor, que não seja verdade, por favor…

— Eu estou gravida, estava a espera que voltasses para te contar e depois organizamos o nosso casamento antes de ficar barriguda…

— Desculpa… eu…

— Vamos voltar para casa, vamos ter o nosso bebé. – Ela aproveitou a sua desorientação, para se voltar a aproximar. – Eu sei que sonhas em ser pai, eu vou te dar o teu primeiro bebé, o primeiro de muitos que vamos ter. Vamos para casa amor, vamos festejar.

— Ele já é pai.

— Vamos matar a saudade, podemos ficar na cama o dia todo. – Continuou ignorando-me, enquanto ele a olhava atómico.

— Nunca lhe poderás dar o seu primeiro filho, tal como nunca poderás ser a primeira mulher dele. Esse lugar é meu e da minha filha, ele sempre será nosso, mesmo depois de morremos.

Disse passado por eles, para entrar em casa, eu não queria ouvir mais nada, muito menos escutar mais uma vez aquela voz irritante. Eu estava cansada, não queria lutar por alguém que não era capaz de lutar por mim, que podia me abandonar e deixar-me com palavras vazias. Eu não vou aguentar outra desilusão, voltar a ser traída, não é uma opção. Assim que entrei, fechei a porta atrás de mim, foi um simples ato, mas para mim… foi como se tivesse acabado de fechar a porta do meu coração.

 

Continua…

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