O certo no incerto – Capítulo 20

Seis meses se passaram, desde que recebi a notícia que o Carlos estava em coma, seis meses de pura agonia e dor. Sem saber se um dia, ele iria voltar para nós, se seria o mesmo Carlos de sempre. Era estranho vê-lo deitado naquela cama, ligado a todos aqueles equipamentos que o monitorizavam e o alimentava, dia após dia. Todos os dias o visitava, mas nada mudava, nenhuma novidade surgia, felizmente também não piorava. Já a Lídia andava infeliz, ela tinha-se habituado a presença do pai, em pouco tempo ela virou a menina do papá. Não sei como explicar a relação deles, como a posso descrever… é algo único, genuíno, verdadeiro é lindo de se ver. Ela tem saudades, mas isso, eu também tenho… podem me recriminar as vezes que quiserem, apenas o que eu sinto por ele não vai embora. Eu já tentei, eu juro que tentei, apenas não resulta e o amo mais a cada dia. Só não o queria perder para sempre, mais valia ele estar vivo a viver com outra, do que morto e enterrado.

É inútil passar dia atrás de dia, ao lado de alguém que parece que está a dormir. A minha presença em nada o ajuda, ele não me vê, não me ouve, nem me sente. E mesmo assim, eu vou e fico lá horas e horas, até me expulsarem ou chegar a hora de ir buscar a Lídia. Claro que não fico a olhar para a parede, normalmente passo o meu tempo a escrever ou a pesquisar sobre novas histórias. Vida de escritora não é fácil, sempre se recebe milhões de pedidos, sobre novos livros ou continuações de história. Fora quando não tenho reuniões com o meu editor, seja sobre um livro que esteja a escrever, um futuro livro ou uma adaptação para filme. É realmente cansativo, mas essa é a vida que escolhi e que adoro viver.

— Lea…

Ouvi uma voz rouca murmurar, ela era tão baixa, que nem parecia real. Quase como se surgir-se da minha cabeça, dos meus sonhos. Só que ela existia, eu estava a ouvir, apenas não sabia de onde.

— Lea… eu te amo… sempre te vou amar…

Uma lágrima solitária surgiu, descendo pelo meu rosto e abrindo as portas para as amigas a seguirem. Um arrepio correu o meu corpo e eu olhei, para o corpo imóvel do Carlos. O que estava a acontecer? Perguntava enquanto tentava-me acalmar, mas não era fácil, o meu corpo termia ao ritmo acelerado do meu coração e a minha respiração acompanhava os dois. Um apito agudo, chamou a minha atenção e eu levantei-me num salto.

— Não… não… por favor…

Murmurei sem coragem para me aproximar da cama, ele não podia morrer, não nos podia deixar. O que eu vou fazer, sabendo que ele não esta mais aqui, o que será da nossa filha. Eu já perdi o nosso bebé, eu não sei se aguento perder o pai dele também. O meu desespero era tanto, que eu senti as forças abandonarem o meu corpo, a medida que via os médicos e enfermeiros entrar no quarto. Enquanto eu só chorava desesperada, pelo meu amor perdido.

— Lea… – Chamou-me uma das enfermeiras, com a qual tinha feito amizade nos últimos meses. – Vamos até lá fora, precisas de te acalmar.

— Eu não quero, eu quero ficar perto dele… eu não o posso perder… – Respondi desesperada.

— Esta tudo bem, ele vai ficar bom. – Tentou acalmar-me.

— Como ele pode deixar a nossa filha, eu já pedi um filho Teresa eu não posso perder o pai agora.

Eu chorava desesperada nos braços dela, eu estava em prantos e não era para menos, não quando sentimos uma dor tão forte dentro de nós. Logo senti uma picava no meu braço e o meu corpo relaxou na mesma hora, eu sabia o que aquilo significava.

— Está tudo bem amiga descansa, nos vamos cuidar dele. – Sussurrou ainda me abraçando. – Precisas de forças para cuidar dele quando acordar, tem coragem.

Acordei algumas horas depois, num dos quartos do hospital, depois do que aconteceu não era novidade. Logo chamei uma enfermeira e pedi a minha alta, assim que me avaliaram, finalmente fiquei livre daquela tortura e pode ir a procura de notícias do meu ex-marido. Estava quase na recessão quando as minhas pernas travaram, eu temia a resposta e suava frio. Foi aí que eu vi uma maca entrar no corredor, carregando um corpo coberto por um lençol branco do hospital. Na mesma hora, a minha boca ficou seca, os meus olhos encheram-se de água e eu estava prestes a entrar num choro compulsivo, quando ouvi a voz da Teresa.

— Lea, não é ele. Não é o Carlos que esta ali, tem calma. – Ela aproximou-se e acariciou o meu braço, chamando a minha atenção, enquanto as suas palavras me acalmavam. – Esta tudo bem com o Carlos, ele teve uma pequena paragem cardíaca, mas nada de mais. Ele não morreu, aliás ele deu-nos esperança…

— Esperança? – Virei lentamente a minha cabeça para ela, afastando os meus olhos do corpo coberto pelo lençol, que agora entrava no elevador.

— Sim, pela primeira vez vimos alguns reflexos nele. Fizemos alguns exames e o médico acredita que o Carlos, pode acordar em breve. – Respondeu com um sorriso contagiante, que pareceu me dar uma nova vida. – Vou avisar o médico que estás aqui e já volto, mas podes esperar ao lado dele se preferires.

Assim que ela saiu eu entrei no quarto, era verdade ele estava ali, do mesmo jeito que o vi mais cedo quando cheguei. Um grande alívio percorreu o meu corpo, mas ele foi ainda maior quando ouvi a confirmação do médico. O Carlos podia acordar, apenas não sabia se era uma questão de dias, semanas ou anos, mas pelo menos essa possibilidade existia. E na verdade ela aconteceu mesmo, demorou uma semana, mas ele finalmente abriu os olhos. Eu não podia estar mais feliz e a Lia… essa pulava de alegria, ansiosa por ter o pai novamente em casa.

— Lea.

Ouvi-o chamar-me, assim que os enfermeiros abandonaram o quarto, fazia mais de duas horas que ele tinha acordado. Infelizmente com todos os exames, médicos e enfermeiro a sua volta, foi impossível aproximar-me. Pelo menos até agora e apenas até que a nossa família chegasse, para o mimar e encher de perguntas.

— Sim. – Aproximei-me dele.

— Eu queria me desculpar, por tudo o que aconteceu. – Vi uma sombra nos seus lindos olhos verdes, ele estava triste. – Eu cometi muitos erros nestes últimos anos, mas nunca pensei que a Júlia, fosse o maior de todos. Que ela fosse um perigo, para o vosso bem-estar e…

— Carlos, não sou eu ou a Lídia que estamos numa cama de hospital, nós estamos bem. Não precisas de te preocupar, estou a falar a sério. – Ele observou-me durante algum tempo e depois afastou o olhar.

— Fui eu que a trouxe para a nossa vida, por causa dela a Lia, foi levada da escola sem autorização. Tu foste obrigada a intervir, o que fez com que caísses das escadas e… – Ele pareceu encolher na cama, depois respirou fundo e continuou. – E perdes-te o nosso filho.

— Não penses nisso Carlos, já passou, não há como recuperar o passado. Apenas temos de o aceitar e continuar a viver, a roda da vida não para, ela inicia-se com o nosso nascimento e desmorona apenas na nossa morte. E que eu saiba, nos ainda estamos bem vivos.

— Ficas tão linda quando ages assim. – Os seus olhos brilhavam e um pequeno sorriso brincava com os seus lábios. – Porque eu esqueci, o amor que sinto por ti? Porque fugi, quando tinha tudo o que precisava aqui? Eu gostava de saber a resposta a cada uma, das mil perguntas que rondam a minha cabeça, mas eu não consigo descobrir. Nada faz sentido para mim, acho que a única vez que fez sentido, eu quase morri.

— Isso foi muito perigoso, o que te passou pela cabeça, para te teres metido no carro com aquela louca.

— Tu. – Respondeu simplesmente deixando-me perplexa. – Tu eras a única, na minha cabeça… alias tu e a Lídia claro e faria tudo de novo, uma e outra vez. Como podia as deixar em perigo e sair ileso, nunca me consideraria um homem, se tivesse feito isso. Eu te amo, eu sou louco apenas por duas mulheres nesta vida. Uma esta na minha frente e a outra foi gerada pela mulher incrível, que um dia eu chamei de minha esposa, de minha mulher.

— Oh Carlos… – Tentei dizer algo racional, mas nada parecia suficiente para me expressar.

— Desculpa-me por tudo, eu preciso ouvir da tua boca, que está tudo bem. – Agarrou na minha mão e a acariciou devagar. – Eu morria mil vezes, só para te ver segura, ou doaria cada órgão do meu corpo, só para te ver sorrir. Até um robô ou uma estátua, era capaz de virar, se isso significa-se ficar ao teu lado. Eu te amo e preciso do teu perdão para poder continuar.

— O que queres dizer com isso? – Perguntei, apercebendo-me do duplo sentido, da mesma. – O que te está a passar pela cabeça?

— Eu… eu… – Começou nervoso. – Eu não seria capaz de morrer em paz, se não receber o teu perdão.

— Carlos, qualquer homem que me proteja de uma louca, para minha segurança. Merece o meu perdão, alias… ele merece muito mais do que isso.

— Então… eu estou perdoado? – Perguntou timidamente, explorando o terreno.

— Claro que sim, só não te perdoaria se morresse no caminho.

— Desculpa…

— Já chega de desculpas. – Interrompi-o. – Não há mais nada para desculpar.

— E a Júlia? – Mudou rapidamente o rumo da conversa. – Ela está bem?

— A Júlia morreu no acidente. Ela teve ferimentos graves e não resistiu, morreu no local.

— Meu Deus… como isto tudo foi acontecer.

Passei os minutos seguintes a pôr-lo a par dos últimos acontecimentos, até que o meu telefone tocou, anunciando a chegada dos nossos amigos e familiares. Apenas a Lia não foi o visitar naquele dia, por mais que quisesse, o hospital não permitia crianças em certos pisos. Era duro, mas de certa forma percebi-a o motivo, por vezes existiam algumas cenas difíceis de assistir. Claro que quando pensei nisso, lembrei-me automaticamente na maca, que carregava um corpo sem vida para a morgue. Apesar de em si a imagem não ser chocante, mexia com o psicológico de qualquer um. Afinal, eu tinha a certeza que se tocasse no homem, ele ainda estaria quente e não frio como um cadáver. Além disso, aquela pessoa era familiar de alguém, talvez um pai, um marido, filho, cunhado, tio, afilhado, irmão e muito mais de alguém. Alguém que choraria litros de água, por o ter perdido.

Os dias passaram-se e finalmente o Carlos teve alta, claro que ele ainda não podia ficar sozinho, por isso levei-o para casa, para a nossa casa. Tínhamos preparado uma pequena festa para o receber, mas desta vez, tudo parecia certo… Tudo estava finalmente bem e podia imaginar um final feliz, só não sabia até que ponto podia voltar a confiar nele. Não sabia o que era, mas desta vez algo parecia diferente, não sei como explicar, nem de onde vez este sentimento. Voltei a olhar pela janela e observei a rua, relembrando-me da conversa que tinha ouvido, naquele fatídico dia. Ele não estava a declarar o seu amor por outra mulher, ele não nos ia deixar por querer. Pelo contrário, ele ia arriscar a sua vida por nós e ainda perguntam, porque eu aceitei-o de volta na minha vida. Porque me dei ao trabalho de passar dia após dia, naquele quarto de hospital. Agora eu pergunto, não o faria porquê? Porque eu não posso dar uma segunda oportunidade a alguém que amo, quando dou uma a um desconhecido que encontrei na rua. Se eu abraço um sem abrigo, sem conhecer a sua história, sem saber se ele me esta a tentar enganar. Então, porque não posso perdoar um engano, uma má escolha? Ainda quando ele se arrependeu, se quer recuperar o tempo que perdemos. Ele não me roubou, não está comigo por fama ou dinheiro, ainda por cima ele não me trocou por ninguém por essa pessoa ser superior a mim. Muito pelo contrário, era ele que precisava se sentir superior, que precisava se sentir necessário.

— Leandra. – Chamou-me a Sofia, aproximando-se de mim. – O que tens?

— Nada, só estava a pensar. – Voltei a observar a rua.

— Em quê? – Perguntou curiosa, colocando-se ao meu lado, para também observar a vista.

— No dia do acidente, na conversa que ouvi, nos meus medos, nas minhas escolhas…

— Estás a pensar que podias ter impedido o acidente, acertei?

Virei o meu rosto para observar a minha amiga, como ela conseguia sondar a minha alma tão bem? Antes mesmo, de eu conseguir fazer isso. Como… não podia ter escolhido ninguém melhor, para ser minha amiga, irmã, cunhada e comadre. Ter alguém assim na nossa vida, é como ter achado o pode de ouro no fim do arco íris. Algo único e inesquecível, que não acontece duas vezes na mesma vida.

— As vezes penso que devia ter tido outra atitude, que devia ter confiado mais nele.

— Lea, nada fazia prever o que ia acontecer. – Aproximou-se ainda mais da janela, mas em vez de observar a vista, encostou-se nele e observou a sala. – Muita coisa de mau aconteceu na nossa família, não foram momentos fáceis, exigiu muitas escolhas, atitudes… foi complicado para todos, mas estamos aqui, como uma verdadeira família depois da tempestade.

— Verdade. – Respondi observando cada pessoa, na minha sala.

— Aquele dia não significou o fim, apenas um novo começo para todos nós. Uma oportunidade para refletimos e ficarmos de olhos no que é mais importante, para não perdemos o que amamos. – Fez uma breve pausa e continuou. – Olha a Lídia, ela perdeu o pai duas vezes e das duas vezes, ele voltou para ela de maneira diferentes. Se doeu, acredito que muito, ela é apenas uma menina indefesa. E mesmo assim, já é uma heroína, com um coração grande e puro. Não deixes a oportunidade fugir uma terceira vez, pois desta pode ser mesmo de vez.

Dito isto afastou-se, misturando-se no meio dos outros convidados. Não tardou muito para que toda a gente fosse embora, a Lia estava tão cansada de brincar com os primos e com o pai. Que em pouco tempo, já dormia confortavelmente na sua cama. Estava na cozinha terminando de arrumar as últimas coisas, quando o Carlos entrou pela porta.

— Pensei que estavas a descansar, o médico pediu que tivesses cuidado…

— Eu sei. – Interrompeu-me. – Apenas queria conversar contigo, podemos ir até ao escritório?

— Porque não nos sentamos antes na sala? É mais confortável.

— Eu preferia que fosse no escritório, se não te importares. – Observou-me atentamente, analisando a minha resposta.

— Tudo bem. – Respondi, seguindo em direção ao mesmo.

Felizmente o caminho era curto, se não o silêncio podia ser constrangedor e inquietante. Mal chegamos, sentei-me na minha cadeira e fiz sinal para que ele se sentasse na minha frente.

— Já aqui estamos, o que querias falar?

— Sobre nós. Sobre o que aconteceu.

— Carlos eu já te perdoei, não precisar de tocar mais no assunto.

— Eu sei, mas eu quero e não quero apenas o teu perdão, quero mais do que isso. – Respondeu decidido.

— O que queres? – Engoli em seco, esperando pela sua resposta.

— Recomeçar. – Ah? Ele quer o quê? – Apagar tudo o que aconteceu nos últimos dias e rescrever a nossa história, podemos ser novamente uma família.

— Carlos eu não sei… – Os meus medos estão novamente surgir e a minha insegurança já gritava no meu peito.

— Lea, eu percebo que tenhas medo, é normal depois do que te fiz passar. – Suspirou pesadamente e continuou. – Desta vez eu quero fazer as coisas de maneira diferente, afinal nos mesmos estamos diferentes. Eu não quero assinar um contrato qualquer, que dite as regras do nosso casamento. Desta vez, quero ser eu a escrever esse contrato, um contrato que eu nunca possa quebrar.

— E que contrato seria esse? – Ele tinha chamado a minha atenção, sobrepondo-se aos meus medos.

— Amar-te como se não existisse amanhã, ser a tua força, o teu amparo, aquece que suporta os teus medos, a tua dor… tudo, como se fosse a minha própria dor e os meus próprios medos. Eu quero estar ao teu lado, apoiar-te nas tuas vitórias e levantar-te nas tuas derrotas. Eu quero ser tudo o que fui e ainda mais o que não fui. Quero ser teu para sempre, amar-te até que os brilhos dos meus olhos se apaguem, porque mesmo que os teus se apaguem antes dos meus, eu ainda te vou amar. Não importa quantas Júlias, apareçam na minha vida, quantas vezes eu sinta que não sou necessário. Nada vai apagar o que sinto por ti, nada pode substituir o amor que existe dentro do meu coração.

Levantou-se e caminhou na minha direção, agachando-se ao meu lado. Ele pegou a minha mão, acariciando-a com carinho, antes de lhe depositar um beijo cheio de ternura. Eram tantas emoções dentro de mim, que eu não era capaz de escolher uma, apenas conseguia observar os lindos olhos verdes na minha frente. Que brilhavam com tanta ternura e amor, que eu me sentia emocionada, como se tivesse encontrado o meu lar.

— O orgulho que eu tenho, por me teres dado uma filha maravilhosa, que me surpreende a cada dia. Com o seu amor, o seu carinho, a sua paixão, a sua inteligência e criatividade, mas acima de tudo com seu coração. Tu és a única mulher que eu conheço, capaz de gerar um ser humano tão perfeito. Vocês são tudo para mim, cada dia que passei nesta casa, que tive a oportunidade de experimentar a sensação de ter uma família. Fez-me voltar a vida, recuperar o ar que eu tinha perdido e eu nem sabia que estava a sufocar lá. Eu já experimentei, por isso posso responder com toda a certeza do mundo. Viver longe das duas mulheres que eu amo, desta casa, onde fomos uma família pela primeira vez. É muito doloroso e difícil, realmente não quero experimentar essa sensação uma segunda vez. Não quero voltar a soltar a tua mão, nem ver o teu olhar de desapontamento, a dor no teu olhar. Eu não quero voltar a falhar, nunca mais quero apagar o teu sorriso lindo do rosto, por isso peço-te. – Tirou do bolso, uma pequena caixa de veludo. Leandra Oliveira, também conhecida como Clara Moreira.

Sorri, ele sempre odiou o meu pseudónimo, sempre se manteve afastado de tudo relacionado a ele. Ouvir este nome enquanto se declarava, tornava o momento ainda mais único e especial. Ele estava mudado e a sua declaração… única, linda… aí… eu estava perdida.

— Aceitas tentar o novo futuro ao meu lado, seres novamente a minha companheira, a minha amiga, a minha esposa e… amante. A minha única amante, para sempre e para todo o sempre. Queres casar comigo?

Ao mesmo tempo que disse essa frase, abriu a pequena caixa de veludo, revelando o nosso anel de noivado. Não o novo anel de noivado, mas sim o antigo, o único anel de noivado que alguma vez carreguei na minha vida.

— O anel…

— Sim é o mesmo, enquanto ainda estava no hospital, eu pedi a Sofia que o pegasse. Se alguém sabia onde ele tinha sido guardado, essa pessoa seria ela. Pedi que o levasse para uma limpeza e que gravasse uma pequena mensagem para mim.

Tirou o anel da caixa, colocando-o na minha mãe para eu ler o seu interior.

— Sempre e para sempre. – Li em voz alta, segurando o pequeno anel em ouro, entrelaçado de um dos lados, formando o símbolo do infinito. De um dos lados, existiam pequeno diamantes encrostados, que davam vais vida e cor ao anel.

— Sempre e para sempre, serei teu até ao infinito. Não podia existir outra frase, ou até mesmo outro anel, neste momento, até este escritório tem significado na nossa vida. Já que ele foi o motivo, para ter surgido as barreiras que nos afastaram, mas hoje eu quero lhe dar um novo significado. Ele não será mais um problema na nossa relação, apenas mais uma prova do nosso amor. Casa comigo, linda.

— Sim. – Abri um enorme sorriso, enquanto chorava emocionada. – Sim eu caso.

Sem dizer mais nada, pegou no anel para o colocar no meu dedo, beijou a mesma e levantou-se levando-me com ele. Hoje um novo livro começava, um livro com tudo o que era preciso para escrever uma linda historia de amor.

 

Continua…

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